segunda-feira, junho 29, 2015




em minhas órbitas, um resto de medo 
enervado feito pássaro
esgueira-se do amanhecer


em silêncio, o ajuste das formas 
a limpidez das cores nulas
abreviam-me a lucidez 

[enfermo, sou eu o homem que sorri]



  

domingo, junho 07, 2015


abandona hábitos
[e declina]
sobre a imagem da mãe, ainda jovem
extirpa o silêncio

[deus e a misericórdia dos tempos idos
afeiçoam-lhe mais que assombram]

arremedo ou síncope
é de si 
o único lugar que resta
nesse longo caminho de volta

sábado, maio 02, 2015



protege, mãezinha
desse medo sem nome
desse homem que não fui
desse deus que não me houve
desse ontem que não veio

protege, mãezinha

dessa minha imensidão

sexta-feira, maio 09, 2014


já não existe dor.
repasso minhas certezas
e averiguo cada um de mim
que somos o mesmo homem incolor
vagando à mingua
feito sombra acuada por um resto de sol

segunda-feira, fevereiro 03, 2014


aquieta-me 
aquilo que não sei
avançando sobre o medo
desterrando a inocência
sacrifico a beleza ao tempo 
e murmuro meus cadáveres 
aos que me habitam

sábado, outubro 05, 2013


esse homem que dá vida a mim
escapou-me entre os dedos
e remendou outro amanhã

(a arritmia do sonho pode ser um abismo morno)

quarta-feira, agosto 21, 2013


retorno ao silêncio.
já não são mais teus olhos
que vêm me acalmar